#SayuSemQuerer, Redes Sociais
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#SayuSemQuerer: Loja, Orkut e Pipoca

Quando eu tinha 19 anos, lá em 2009, comecei uma loja com meu namorado e essa loja veio moldar quem eu sou hoje. Ou melhor, veio me ajudar a descobrir. Foram seis anos de idas e vindas, algumas choradeiras e muitos quilômetros rodados na caminhonete velha.

Pra quem não acompanhou a choradeira no facebook ou simplesmente não tem o menor senso de quem eu sou, a PoP é – era – uma loja virtual (e física a cada três meses, mais ou menos) que vendia camisa, botton, chaveiro, miniatura… tudo que você possa imaginar relacionado à cultura pop asiática, games, seriados e filmes. Hoje em dia eu diria que a PoPCycle foi criada por e pelo saudosismo da geração Y.
Mas quando eu criei a PoP não sabia nem que minha geração tinha nome.
Ou que geração tinha nome
Fora “Coca-cola”.

popcycle no saga 2014

popcycle no saga 2014

Foi com a loja que eu aprendi sobre gestão de pessoas, administração de negócios e marketing digital. Fucking awesome, right? Esse dia 10 de outubro de 2015 a PoPCycle estaria completando seis anos de vida e eu quero compartilhar com vocês como foi a jornada de ter uma loja do Orkut, vender pipoca pra levantar fundos e esperar 3 horas para entregar uma encomenda para uma cliente que virou sócia da loja depois.

Pipoca e Misto Quente

Se a loja começou de um desejo de criança, oportunidade de negócio ou birra, eu não sei dizer. Talvez tenha sido tudo isso junto. Talvez tenha sido tudo isso misturado. A PoPCycle nasceu assim vendendo cachorro quente, que nem o Silvio santos. Vendendo cachorro quente e pipoca e brigadeiro e misto torrado. Eu juro que a gente não acertou o ponto de um misto durante todo o evento.

A primeira grande crise da loja foi no segundo dia do HQPB 2009 que a moça do Espaço Cultural (local do evento), pipoqueira oficial, colocou um carrinho profissional de fazer pipoca bem ao lado de nossa modesta mesinha. Eu acho que ela tava tirando onda da minha cara e de minha pipoqueira de girar manivela vintage.
Falimos.
Acabou-se the pipoca business. Estava eu e meu namorado com dois sacos de pipoca sem ter como pipocar e os mistos torrados foram nossa única fonte de renda naquele fatídico segundo dia.
Por bem ou por mal, a grana levantada naquele evento, com a lojinha de comida, financiou o primeiro evento da PoPCycle (já batizada) três meses depois.

Orkut, MSN e o Social Commerce antes dos frufrus

Apesar da Grande Crise da Pipoca de 2009, conseguimos fundos o suficiente para fazer 20 camisas e 12 chaveiros. A gente fazia os chaveiros na mão mesmo, assim de biscuit, passando mil horas vendo tutorial do youtube. Dizem que se você não começar errado é porque começou tarde e, bem… A gente começou errado.

Dia 10 de outubro de 2009 criamos nosso Perfil no Orkut para divulgar o nome da loja e prever o que seria mais solicitado para levar para o próximo evento. A gente tinha uma logo feita no word – sério – e boa vontade de sair adicionando todos os amigos de nosso amigos e todas as pessoas que participavam das comunidades que tinham a ver com a loja.

Depois de apanhar muito pra entender que você não pode vender algo por encomenda que nunca tinha feito antes (a gente precisou cancelar um monte de encomenda), arrumamos nossas 20 peças e fomos para o primeiro evento da PoP: A Feira Japonesa. Resolvemos criar uma camisa com a logo para oficializar o negócio e dois dias de feira depois a gente entendeu uma coisa muito simples: o que a galera queria comprar o que eu queria comprar não vendia aqui ou era muito caro ou tinha qualidade ruim. Ou seja: ia dar certo.

Primeiro evento já como PoP: Feira Japonesa PB

Primeiro evento já como PoP: Feira Japonesa PB

Desde o começo a PoP foi muito interligada às redes sociais. A gente tirava foto da galera nos eventos e distribuía cartão para o pessoal pegar as fotos no flickr, fazia entrevista para postar no blog, e mantinha um relacionamento extremamente amigável com todos pelo orkut e MSN. Os nomes das redes em alta podem ter mudado, mas a estratégia é boa até hoje Fica a dica

Como empresa, nós tínhamos uma única preocupação: vender para todo mundo que quisesse um pouquinho do que nós também amávamos. Então, a gente discutia mesmo com cliente, falava sobre anime, falava sobre cultura, falava sobre eles mesmos. Era uma relação bem profunda que passava do atendimento, nem era SAC aquilo… Acho que era meio que fazer amizade. Nos dois anos seguintes a gente era reconhecido na rua (sério) e o pessoal parava pra falar da loja. A PoP tinha virado uma propriedade pública e isso foi lindo.

Foi através do Orkut que entramos em contato com fornecedores do Brasil e de fora. Na época havia um boom de lojinhas e a maioria delas importava produtos da China. Passamos um bom tempo nos dois primeiros anos analisando essas lojas. Com novos fornecedores vieram também novos eventos e novos estados e… Uma sócia.

Twitter, blog e o bicho ficou sério

Em 2011 éramos três pessoas na loja, eu e Evelly (a guria das 3h de espera que virou sócia) e Kathlen (que estudava com a gente e conheceu o marido dela em um evento da loja. Eu falo sério quando digo que essa loja mudou as coisas). Foi nesse ano que a coisa ficou séria. Eu peguei um empréstimo de R$10k (eu, uma guria de 21 anos) para investir na loja; com isso expandimos a fabricação de alguns produtos manuais e firmamos parcerias com novos fornecedores e eventos. AH! Ganhamos uma logo.

Nessa época o Facebook começava a se popularizar no Brasil e o Twitter estava se consolidando como rede sociais mais popular. Confesso que criei uma conta no twitter pra loja antes de criar uma pra mim. Com a nova rede e as novas parcerias, começamos a vender para todo Brasil através das redes sociais. O Twitter se encaixou perfeitamente com o jeito que a PoP sempre dialogou com seus clientes, começamos também a fazer sorteios. O Blog virou um centralizador de toda PoP na internet, puxando as conversas com os clientes em social para transformar em assuntos para posts. No entanto, o twitter representava um desafio pra gente que nunca precisou, de fato, criar um conteúdo específico para social, já que as coisas era mais no formato de “Mídia encontra SAC”. Foi um ajuste, mas nos ajustamos.

popcycle em joao pessoa

me dá um joinha

Facebook e E-commerce

Em 2012 eu finalmente cedi (nunca gostei do facebook) e a loja criou uma página no facebook. Buscamos trazer a mesma linha de conteúdo misturado com humor e tentamos manter a proximidade com os clientes. O crescimento da página foi assustadoramente rápido. Começamentos a entender que deveríamos tirar os novos produtos pela reação das pessoas com o conteúdo da página, isso ajudou bastante a traçar novas estratégias.

Logo começamos a trabalhar com influenciadores locais e criamos nossa loja online. Na época eu já estava trabalhando como Assessora de Marketing e Social Media e iniciamos, de fato, uma estratégia de Conteúdo e Marketing pra PoP. Kathlen saiu pra casar, Giseudo entrou (mais ou menos) e meu irmão ajudava muito. Enfim, equipe maior, grana maior, um e-commerce e muita coisa pra fazer. Deixamos o orkut mais de lado e concentramos nossos esforços no blog e no facebook.

Eu sou um ser humano extremamente fofo

Eu sou um ser humano extremamente fofo

Perceber a reação dos usuários online foi muito importante para organizar a loja nos eventos. Por exemplo, eu e Evelly sempre buscamos nos arrumar de um jeito que fosse chamar atenção, seja com adereços de algum personagem, cosplay ou uma roupa extremamente extravagante mais in tune com o nicho. E funcionava. Funcionava muito. Isso foi importante porque os eventos praticamente dobraram de tamanho. Ser nerd, geek, virou algo quase legal. Todo mundo queria o lance do saudosismo dos anos 1990. Foi ficando cada vez mais difícil dialogar com o público do jeito que a gente gostava, até porque o crescimento da loja estava quase descontrolado.

PoPCycle Br: Boom e Crise

2013 e 2014 foram anos particularmente fabulosos para a PoP. Expandimos de forma a criar o PoPori (pior nome, eu sei), a loja de comida que retornou dos mortos vendendo comidas de anime tipo Onigiri (sacou o nome), Ramen e outras paradas; e um branch da loja chamado Candy Apple, que vendia só coisas fofas.

Foi o período que ganhamos ID visual completa, um site personalizado, um e-commerce nacional e começamos a fazer SAC por telefone e whatsapp. Também ganhamos Rafaela e Emily na staff e um carro pra ir e vir dos eventos (a gente ia de ônibus antes). Como as coisas foram fugindo do que a loja era em termos de atendimento, foi criado um perfil privado como “Sayu” no facebook, para responder as dúvidas da galera e voltar àquela interação do Orkut. Não consigo dizer o tamanho do trabalho que deu levar uma persona daquele jeito, mas a satisfação de voltar ao que a PoP sempre se prestou a ser era enorme.

Fechamos mais fornecedores internacionais e começamos a ser convidados para eventos em todo o Brasil. O facebook da loja atingiu 60K likes e foi através dele que eu consegui minha primeira consultoria direta com o Facebook Brasil. Começamos a anunciar na internet, o custo da conversão era inacreditavelmente baixo, mesmo para os padrões de 2013, espantava até o cara do Facebook. (momento pra sentir orgulho, obrigada)

Último evento da PoP - Abril 2015

Último evento da PoP – Abril 2015

Quanto mais a loja crescia, menos eu conseguia controlar. Não ajudou o fato de eu ter arrumado um emprego que estava dedicando a vida e a alma por. Em 2014 a loja online fechou por falta de gestão, a fanpage também parou em julho do mesmo ano, e, quando bateu outubro, eu olhei pra Evelly e a gente meio que entrou num consenso silencioso que iria acabar a loja.

A falta de tempo, início da crise no Brasil, alta do dólar e outras coisas mais fizeram com que esse ciclo chegasse ao fim. O último evento da loja, em Abril de 2015, foi recheado de nostalgia e uma saudade de algo que ainda estava lá. Se a loja tivesse terminado um evento depois é bem provável que teria dado prejuízo, mas o timming foi perfeito.

Team PoP no Saga

Durante seis anos – ou quase – Eu, um ou três amigos, nos enfiamos em um carro (ou em um ônibus) cheio de caixa, mala e saco para viajar por duas, três horas entre João Pessoa, Natal, Campina Grande, Recife e participar de eventos sobre cultura pop.
A loja começou com 20 camisas e 12 chaveiros feitos a mão.
No nosso último evento nós lotamos uma caminhonete. A caçamba e dentro também.
Por causa da loja, eu ganhei e perdi amigos. Ganhei e perdi sono. Ganhei e perdi dinheiro. E, acima de tudo, ganhei um norte e seis anos de boas histórias para contar. ❤

virou, literalmente, parte de mim

virou, literalmente, parte de mim

Mas, pra quem chegou ao fim desse texto, a PoPCycle não acabou!

Em Janeiro de 2016 a gente vai lançar um portal sobre esse universo todo que montou a loja. Então curte lá a fanpage e fica de olho que eu prometo que vai ser, ao menos, mais uma boa história para ouvir. 🙂

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3 comentários

  1. giseudo diz

    Praticamente uma bibliografia completa da PopCycle.
    Até eu que participei da loja, não conhecia a “Grande Crise da Pipoca” de 2009… HAUHAUHAU
    Muita luta e sofrimento, que no final valeram a pena, não é verdade?
    Aproveitando o comentário pra também parabenizar o seu esforço em levantar esse blog:
    Parabéns !! Muita coisa boa ainda está por vir 🙂

    Curtido por 1 pessoa

  2. Acordei de fucking 5 horas da manhã e vim ver “AAAH o blog de sayu!” e me deparo com esse texto que me encheu os olhos de lágrimas de alegria, orgulho e saudade.
    Que post lindo!
    A cada paragrafo que eu lia me vinham a mente centenas de momentos vividos, e muito bem vividos, junto da Pop e de todos que estavam nessa por ela. Dias sem dormir fazendo nossos chaveiros, carregar sacolas e mais sacolas em um ônibus, tirar um cochilo nas camisas de baixo da mesa do evento e ainda assim se vestir pro evento, ficar bonita (hmm) e com um sorriso no rosto por mais um evento da pop. Era tão empolgante, era tão feliz.
    Para mim, a Pop Cycle foi um sonho.
    Obrigada por ela. Obrigada por tudo.
    Todo dia 10 de outubro deveríamos fazer o aniversário da Pop, com bolo, chapeuzinho, anime e grandes bons momentos para lembrarmos haha

    O blog está lindo, está a cara de sayu.

    Ps.: Foram 2 horas u-ú

    Curtido por 2 pessoas

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