Redes Sociais
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Muleta de conteúdo

Há dois anos eu li um texto do Profissão Blog (infelizmente desativado) que tratava sobre 10 muletas e chavões de texto que fazem todos os artigos de blog se parecerem . Aquilo me impressionou profundamente. Não só porque eu fazia aquilo lá e mais um pouco, mas também o texto me passou aquela velha sensação de “como eu não pensei nisso antes” que tem em tudo com um toque de genial.

Me recordei desse texto dia desses ao refletir sobre como a gente insiste em fazer o mesmo conteúdo independente do cliente.  Às vezes é porque falta pauta, às vezes é o cliente que te liga as 22h cobrando o post do dia do vôlei – com aquela sacadinha – às vezes é por  comodismo ou pura preguiça mesmo de fazer um planejamento. Tudo isso e um pouco mais acaba tornando as fanpages iguais, todos os posts o mesmo e todo mundo, basicamente, com o mesmo posicionamento.

Todo mundo em primeiramente mira no óbvio. Henri Cartier-Bresson disse uma vez que “Suas 10.000 primeiras fotografias serão suas piores” tire alguns zeros e você tem pauta de social.

Receitas

Posts mais clichês das redes sociais

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A primeira muleta não é tanto pela falta de nexo com a pauta diária, mas pelo fato de ter sido usada tantas vezes e de tantas formas diferentes que já caiu no banal. Ah a marca vende coisa pra casa? Faz post de receita. O cliente prega uma vida saudável? Faz ai uma lista no buzzfeed “10 receitas que vão mudar o jeito que você vê brócolis”.

É importante atentar que essa muleta de conteúdo só existe dentro do clichê – ou seja, se você adaptar o listão para algo que entretenha ou informe o post deixa de ser muleta e passa a ser algo relevante. Por exemplo, a Seara:

Seara fazendo post bacanudo de receita:

Seara fazendo muleta de conteúdo de receita:

Mesma marca, mesmo estilo de post. O que diferencia as duas? Conteúdo. Enquanto o conteúdo o primeiro vídeo é uma proposta dinâmica de brincadeira e desafio, deixando o ato culinário em segundo plano, o segundo post é uma receita simples e normal. Tudo gostoso? Então vamos continuar.

Citações e frases de efeito

Frases motivacionais, gatinhos desejando bom dia e o Garfield versus a segunda-feira são heranças daquelas correntes de e-mail em ppt, com música .mid tão melosa que soava quase ameaçadora. Herança essa que levamos para os scraps coloridos em gif com glitter no orkut e adaptamos para o facebook com menos coisa piscando. É o que eu chamo de “Post Augusto Cury”. Aquele post milagroso que vai engajar pra além dos seus 4%, que você usa quando não tem mais nada pra falar ou esqueceu de subir a postagem de domingo.

aquele momento que você abre o pensador.uol para fazer o texto do seu post

aquele momento que você abre o pensador.uol para fazer o texto do seu post

Lá em 2012 isso parecia fórmula mágica. “Joga um gatinho dizendo bom dia”; “sábado é dia de descanso, coloca aí um “Liberdade é pouco o que eu quero não tem nome~”. Vale salientar que isso serve também para ditos populares, trechos de música e quotes de filmes.

Antigamente a gente justificava como coisas para “abrir a página” porque “geravam mais engajamento”, hoje em dia o nome disso é muleta.

CVC fazendo muleta de conteúdo:

 

 

Datas comemorativas/ aniversários e mortes

Há dois anos eu li um post muito pertinente no B9 chamado Cadê o post da sua marca sobre Valentine’s Day? No post em questão o Cristiano Dias questionava a necessidade dos posts de datas comemorativas, especialmente porque naquele ano em particular tivemos uma chuva de posts sobre o Valentine’s day, Dia dos Namorados gringo.

O dia de São Valentim existe, certo, mas qual é a importância de fato desse dia para a sua marca? Seguindo esse mesmo pensamento, qual é a relevância da sua empresa de comida fazer um post sobre o dia do médico ou a sua marca de beleza fazer um post sobre o dia do advogado?

Ao adaptar o post para algo que entretenha ou informe, deixa de ser muleta para virar algo relevante

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Não vou entrar aqui no mérito da relevância de conteúdo, isso é pauta para outra postagem, mas é importante entender que existe um alinhamento de marca que deve ser seguido. Sua empresa promove sustentabilidade e tem ações que promovem a valorização do meio ambiente? Eita que bom post para o dia da árvore!

Como saber se essa data é pra você:

– Sua empresa está diretamente conectada com a data comemorativa?

Exemplo: Dia do Músico e a Som Livre, Dia do poeta para a Amazon, etc

– Seu público está diretamente conectado com a data comemorativa? Ou seja, é algo que a persona da marca valorizaria?

Exemplo: dia do amigo, dia do obrigado, mês de conscientização e combate ao câncer de mama para todas as marcas diretamente ligadas com produtos femininos;

– Sua empresa tem ações específicas relacionadas àquela data?

Exemplo: A empresa X promove o reflorestamento, bom post para o dia da árvore; a empresa Y promove rodas de leituras em comunidade, bom post para o dia do livro

Contextualizar é o mais importante

O que vejo muito por aí é uma frase genérica retirada de um influenciador ou um texto famoso (exemplo: Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito. Feliz dia do amigo) sem se preocupar em inserir a marca no contexto.

Se você respondeu sim para ao menos uma das perguntas acima então sua marca já tem o que falar no post, não precisa de um clichê pra segurar o usuário. Datas comemorativas deveriam ser tratadas como mais uma oportunidade para gerar conhecimento de marca, pra mostrar que você se importa com seus clientes e usuários. Então pega lá tua ação social, teu produto associado e contextualiza isso dentro da data. Mostra que você de fato se importa.

Se não tiver nenhuma ação social em cima da representação daquilo, como pode acontecer com uma marca de beleza no mês de combate ao câncer, por exemplo, então protagoniza teu consumidor, mostra as vitórias e desafios da pessoa que venceu o câncer, mostra como ter uma auto estima em alta ajuda a lutar. E, principalmente, deixa a tua marca em segundo plano. Protagoniza o usuário, amiga.

Memes

Ah chegamos. Sim, memes são muletas de conteúdo quando usados fora do contexto de marca. Aliás, memes são uma bola fora gigante. Se você está tentando passar ‘a moderninha’ tá fazendo errado.

Em primeiro lugar é preciso verificar seu público: cada vez mais o tempo de vida de memes se encurta, a exposição de algo que começa e termina no mesmo meio – no caso, a internet – em tão pouco tempo nem sempre chega ao nosso público.

Digamos uma empresa de varejo na qual o público de heavy users (pessoas que são de fato atingidas por memes com maior facilidade) compete em 10% ~ 20% de sua base de usuários e você pega e posta o meme do acabou jéssica na sua fanpage. É bastante provável que seu público não vá entender o que você postou, mesmo que contextualizado (Digamos: Pensou que acabou, Jéssica? As ofertas da Ricardo Eletro não param nunca) e todos aqueles shares lindos para por no relatório virão de pessoas que ou não são seu público ou são uma parte mínima dele.

Usar meme ou não? Entenda como saber o momento certo

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Entendendo como – e quando – usar um meme

Ponto 1: Saiba se o meme vai alcançar seu público.

Quem trabalha com Social Media tem mania de achar que porque ele conhece uma coisa todo mundo vai conhecer. A gente precisa entender que estamos sendo impactados por todo tipo de informação o tempo todo. Não só porque, teoricamente, passamos o dia todo buscando conteúdo, mas também porque somos os heavy users extremos. Seu público é heavy user? Pensa nisso tá?

Ponto 2: . Não force a barra.

Se o meme não vai combinar com sua marca, não precisa forçar a piada. Esse texto sobre como você sabe que um meme está morto levou esse meu ponto ao extremo mais lindo. Post forçado é indigesto, não força a barra.

Ponto 3: Saiba quando o meme está morto.

Existe uma linha de saturação do conteúdo de um meme que funciona mais ou menos como o Ciclo de vida do produto (gráfico)

ciclo-de-vida-do-produto

Você quer estar até a fase de ‘crescimento’, passou disso não vale mais a pena fazer. “Todo mundo vai” é argumento de pré-adolescente que quer ir pra balada e a mãe não deixa, o fato de todo mundo estar fazendo piada com o meme já é sinal que já deu e sua marca pode ir dormir sem essa.

Ponto 4: Entenda a origem do que você está postando.

Na hashtag #meuamigosecreto, que se tornou ‘hype’ pela dimensão que – ainda bem – tomou, muitas pessoas estavam se apropriando da hashtag para fins de marketing. A gente precisa se lembrar que a base para qualquer conteúdo é a pesquisa, então pesquise tanto a origem do viral, meme, hashtag em alta quanto reflita sobre a qualidade daquilo.

Vamos tomar o exemplo de Fabíola, a mulher que estava traindo o marido e dizia pra ele que ia na manicure. Viralizou? Sim. Atingiu boa parte da população? Sim. Se eu fosse uma marca, digamos, Avon, seria cabível contextualizar no meu mix? Sim. Devia rolar postagem? ABSOLUTAMENTE NÃO. Assuntos sensíveis não devem ser tratados como coisas banais nunca.

Dica da tia: Quer usar meme? Use em redes real time como twitter e instagram. Deixe o facebook de lado. Com qualquer coisa que envolva hype o tempo de postagem é argumento imprescindível para o seu sucesso, o algoritmo do facebook só vai atrapalhar sua vida, então deixa ele pra lá.

Pesquisa ♥ contexto: como sair do clichê de social media
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Oooops typo? Viu algo errado nessa postagem? Me avisa nos comentários
Fazer junto é mais gostoso. Compartilhe suas dicas e ideias com a gente.

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  1. Pingback: Sacadinha é uma sacada pequenininha | BACANAL

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