Conteúdo, Redes Sociais
Comentários 2

Produtores de Conteúdo e Facebook: tapas e beijos

Existe um ditado velho, desses importados dos EUA, que diz “não ponha todos os seus ovos em uma cesta só”. Visualize o Facebook. O Facebook é a cesta. E os ovos? Bem. São ovos.

[tl;dr] Ao longo dos últimos 10 anos, paradigmas – e ovos – foram quebrados. A internet mudou a visão da marca sobre a massa e da massa sobre ela mesma: agora todos tem o poder de produzir e disseminar conteúdo. Empresas como Google, tão logo proveram meios para que esses criadores de conteúdo pudessem trabalhar e, claro, lucraram com isso ao vender espaços de mídia entre esses conteúdos criados. De olho na grana da mídia, outras plataformas, como o Facebook, começaram a também vender esses espaços sem se preocupar em cultivar o relacionamento com quem fazia o conteúdo. Esse modelo logo perdeu sua validade. Os usuários não tinham mais interesse em ficar numa rede na qual só viam coisas sobre sua família e amigos. Agora o Facebook corre atrás do prejuízo, buscando de melhorar sua taxa de retenção e conter a evasão de usuários. Mas como será que ele vai conseguir isso?

produtores-conteudo-facebook-youtube-bacanal

Criando a cesta

Grandes organizações, como o Facebook ou o Google, são rentáveis por gerar a necessidade e a solução. Essas empresas conseguem interligar as necessidades do usuário e soluções para as marcas. É o modelo perfeito de negócio. A diferença entre as duas é que o modelo o Google é autossustentável, enquanto o Facebook precisa do apoio do conteúdo alheio para gerar retenção dentro de suas paredes.

Esse problema em particular gera uma situação escalonada para o Facebook, que pode ocasionar – como já está ocasionando – em uma evasão da rede por parte dos usuários. Sem usuários, sem  marcas interessadas; sem marca, sem dinheiro. Sem dinheiro? Bem, talvez Zuck tenha que voltar pra faculdade.

O problema é de retenção

Desde que nasceu o Facebook vem fazendo modificações para melhorar a taxa de permanência de seu site. Em 2006 foi criado o feed de notícias, em 2007 os aplicativos (que me levou a criar uma conta no Facebook só pra jogar farmville – sim, sou dessas). Em 2008 rolou chat e app para mobile (iphone). Quem quiser ver a linha do tempo completa da rede social, clica aqui.

Nessa época o Facebook era centrado na vida de seus amigos e familiares. Se passava o dia vendo o que eles estavam fazendo. Mesmo com o lançamento das páginas, o sentimento de gestão de conteúdo ainda era algo muito embrionário. A produção dentro da rede era um misto entre apresentações motivacionais em slideshow, aquelas enviadas por e-mail, e memes com foco em marcações (quem nunca se sentiu representado por aqueles bonequinhos em “toda sala tem…”).

Mesmo com todo o funtimes o Facebook esqueceu de uma coisa, que o Google já em 2002 foi esperto o suficiente pra sacar, conteúdo é uma via de mão dupla.

Monetização na web

Em 2002 foi criado o Adsense, programa que permite a remuneração pelo espaço “alugado” por anunciantes no seu site. Com o Adsense, os produtores de conteúdo se sentiram estimulados a trabalhar mais e melhor, porque recebiam uma recompensa pelo seu trabalho (por menor que ela fosse). Com a monetização, o Google criou uma relação de parceria com seus fornecedores.

Produtores de conteúdo são fornecedores para grandes empresas. Eles são o motivo pelo qual você permanece em um ambiente ou não: o interesse de ler ou ver aquilo que foi criado. Quanto mais tempo você permanecer num ambiente maior é a quantidade de anúncios que a empresa pode mostrar a você.

O Facebook foi na contramão disso.

No lugar de primeiro arar a terra e garantir boa amizade com quem desperta o interesse, partiram direto para quem aluga o espaço do interesse despertado: as marcas. Ao permitir a criação de anúncios, em formatos cada vez maiores e diferentes, o Facebook invadiu a linha do tempo do usuário e priorizou a grana ao conteúdo. Para isso foi reduzindo cada vez mais o alcance orgânico – gratuito – das páginas. Sem alcance,  para você atingir seu público é preciso pagar, seja você uma marca – com claros interesses financeiros – ou um produtor de conteúdo.

De acordo com o Edgerank checker, em 2012, o alcance orgânico era de 16%. Dois anos depois, caiu para 6,5%. A revolta com a queda desproporcional e a insistência do próprio Facebook em oferecer anúncios para aumentar esse alcance, ocasionou a derrubada da fanpage da Eat24 pela própria empresa, em uma carta pública, divulgada no blog deles, que vale muito a pena ler – mesmo dois anos depois.

Esse relacionamento foi ficando ainda mais instável, particularmente no final de 2014, quando vários artigos acusaram a “morte do alcance orgânico do facebook”. Foi quando um estudo revelou uma evasão grande de usuários na plataforma. Também, a própria rede anunciou o corte de alcance orgânico para postagens com click bait e posts promocionais. A confusão cresceu tanto e o artigo da universidade foi tão divulgado, que o próprio facebook precisou se pronunciar a respeito do assunto – e não pegou muito bem.

Dois anos depois, agora em 2016, a plataforma enfrenta outra crise com os produtores do conteúdo: a questão do direito autoral. O boom de vídeos que vem se pronunciando desde 2014, privilegiado pela própria rede social em uma tentativa de concorrer com o YouTube, só prejudicou a já ruim relação do Facebook com os produtores de conteúdo.

A corrida por curtidas fez com que todos voltassem seus olhos para vídeo. Então o que as páginas começaram a fazer, em um esforço desesperado por aumentar o seu constante cadente alcance orgânico sem precisar investir? Começaram a pegar vídeos do YouTube.

64779756

Freebooting

Freebooting é um conceito criado recentemente para explicar o ato de roubar vídeos do YouTube e repostá-los no Facebook, lucrando com os anúncios e alcance gerados pelo mesmo.

A prática tem ajuda – direta ou indireta – da própria rede social, que, como a gente falou antes, hiper estimula os donos de páginas a inserirem vídeos dentro de sua plataforma. O pessoal do Smarter Everyday contou um pouco de como isso rolou com eles.

Como ainda não existe um sistema que assegure os direitos dos produtores de conteúdo de forma eficaz, dentro do Facebook, é necessário enviar vários formulários e trocar vários e-mails antes que seu vídeo roubado seja retirado do ar. Até lá o vídeo já foi exibido para milhares ou milhões de pessoas e a rede social já lucrou com a exibição de anúncio. Só que, diferente do Youtube, o produtor de conteúdo não ganha um real com essas exibições.

A coisa é tão embaraçosamente ridícula que, quando Hank Green fez um texto falando sobre o assunto e publicou em seu Medium, um dos Gerentes de Produto do próprio Facebook teve que intervir e comentar. – DE NOVO!

Ferramentas do Facebook para Produtores de Conteúdo

Apesar disso, o Facebook vem se esforçando para melhorar seu relacionamento com os produtores de conteúdo.

Em 2015 foi lançado, no Brasil, o site Facebook Media, uma forma de manter os produtores atualizados das – eternas – mudanças na rede e de auxiliar na hora de produzir material específico para a plataforma. Também, mais recentemente, se mostraram cientes da problemática que envolve o freebooting, criando um Gerenciador de Direitos Autorais, ainda sem muito uso por aqui. É interessante apontar que essa solução funciona para vídeos dentro da rede, não vídeos roubados de fora dela.

Também existe uma ferramenta focada em jornalistas, para curadoria de notícias, chamada Signal. Por hora a ferramenta só está disponível nos EUA. Ainda na vibe de real time, a rede finalmente liberou Facebook Live para todos os usuários.

Buscando melhorar a retenção e a própria experiência do usuário, foi lançado o Instant Articles, que exclui a necessidade de abrir um navegador externo para ler artigos; ou seja: você não sai do Facebook. No ritmo do textão, a rede social também melhorou – e muito – seu Notes (ou “notas”), possibilitando uma interface mais didática e um resultado final mais parecido com textos do Medium. Qualquer um pode publicar textos no Notes.

Mas e a grana?

Já no final de 2015, o Facebook lançou uma nota dizendo que queria remunerar os produtores de vídeo. O modelo é diferente do Google e não tem data certa para começar a funcionar. Existem outros métodos de remuneração sendo testados pela rede social, mas nenhum tem data certa para ver a a luz do dia.

produtores-conteudo-facebook-youtube

Da cesta para a frigideira

Com tanta rede social e tanta coisa nova rolando o tempo todo fica difícil para concentrar seus esforços em algum lugar. É tentador gozar de números facilmente altos, como curtidas, visualizações de vídeo, alcance e outras métricas de vaidade que o Facebook nos entrega quase de bandeja. É fácil se sentir importante com 100 mil curtidores na sua fanpage e super estimar a verdadeira penetração do seu trabalho se nosso sucesso é medido por compartilhamentos. Mas o que fica de real para você, produtor de conteúdo? O que vai ficar quando o Facebook acabar?

Fazer do facebook seu foco principal de criação e divulgação de conteúdo é cuidar do jardim dos outros. Por mais sedutor e promissor que pareça investir em Instant Articles e jogar seus vídeos no upload direto do Facebook, é preciso contar com mais de uma opção de hospedagem. A mais certa delas certamente é ter seu próprio site – ou blog.

produtores-conteudo-facebook-google-problema

Segure seus ovos com delicadeza

Todo produtor de conteúdo tem uma relação muito íntima com aquilo que produz. Sua obra e trabalho são parte de sua identidade. Enquanto o facebook está cada vez mais disposto a centralizar o tráfego da internet em seu próprio entorno, vá na contramão. Crie algo que seja seu e use a rede social como um difusor de conteúdo.

Oooops typo? Viu algo errado nessa postagem? Me avisa nos comentários
Fazer junto é mais gostoso. Compartilhe suas dicas e ideias com a gente.

Anúncios

2 comentários

  1. Pingback: Profissão Social Media: áreas de atuação e fontes para estudo – Estudando Social Media

  2. Pingback: Profissão Social Media: áreas de atuação e fontes para estudo - insightee

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s